Beth Goulart está sentindo um "friozinho na barriga". A razão é sua nova personagem, a fútil Leonora de "Três Irmãs", novela das sete que estréia dia 15 na Globo. A atriz de 47 anos jura que nem os 33 de carreira são suficientes para tranqüilizá-la até ver o resultado no ar. Afinal, é a primeira vez que ela interpreta um texto de Antônio Calmon.
"A gente se expõe muito em cada trabalho, se arrisca. É um tiro no escuro", sintetiza.A apreensão se torna ainda maior porque, desde que recebeu a sinopse, Beth percebeu que Leonora se parece em vários pontos com a Neli de "Paraíso Tropical", seu último - e elogiado - papel na TV. "Elas são bem similares, então trabalhei a fragilidade para tentar humanizá-la", conta. Na trama, Leonora, de raízes aristocráticas, é casada com o "bronco" Orlando (Tato Gabus Mendes) e é mãe de Alfredão e Natália (Leonardo Carvalho e Cecília Dassi).
A família vive aos trancos e barrancos até que a notícia da gravidez da filha cai como uma "bomba". "Existe um certo absurdo nessa família, eles não são muito normais. Percebi que dá para brincar com a delicadeza dela e a grossura do marido", diverte-se Beth, acrescentando que Leonora, além de manter um casamento de aparências, é apaixonada pelo prefeito Nélson (Aloísio de Abreu).
A "paixão platônica", aliás, vai render uma baita crise conjugal, o que deve desencadear o fim do casamento mais para a frente. "Ela não casou com o grande amor de sua vida e preferiria estar ao lado de um homem refinado", avalia.Outra característica marcante da personagem é sua tendência à vilania. Embora Beth a veja apenas como um "fantoche" nas mãos de Violeta, vilã interpretada por Vera Holtz, a atriz confessa que vez ou outra Leonora vai agir de forma nada ortodoxa.
"Também tentei dar um tom de comédia porque uma das primeiras coisas que Calmon me disse é que não queria que ela fosse antipática", pondera a atriz que, para buscar mais referências, assistiu a filmes como "Família Soprano", "O Poderoso Chefão" e "O Amante de Lady Chatterley".Alerta ligadoEstudo e observação, aliás, são instrumentos dos quais a carioca filha dos atores Nicette Bruno e Paulo Goulart não abre mão para compor seus personagens. "O ator tem de estar aberto para tudo o que acontece. Às vezes você vê coisas e descobre ligações com seu momento. E vai montando um quebra-cabeças", ensina.
Tudo isso aliado a hábitos saudáveis, já que a atriz não come carne vermelha há mais de 20 anos e faz caminhadas regulares na praia. "Também tenho prazer em olhar o mar, a montanha... Isso me reconecta com a natureza", afirma.Além da novela, a inquieta atriz coleciona projetos.
Tanto que, assim que "Três Irmãs" terminar, Beth, que carrega uma vasta experiência teatral, vai fazer uma adaptação para os palcos de "Cartas Perto do Coração Selvagem", livro de cartas trocadas entre Fernando Sabino e Clarice Lispector. Sócia de uma produtora - que desenvolve projetos junto a artistas em geral -, Beth também deve dirigir, em 2009, uma peça com texto de Jô Bilac e um elenco de jovens atores. Para completar, ela pretende levar para o Rio de Janeiro o projeto "Teatro nas Universidades", que seus pais mantêm em São Paulo. "O teatro propõe reflexão e visão crítica do momento em que se vive. Precisamos criar mecanismos para que isso aconteça, já que a força do ao vivo é inigualável", acredita.
(Por Fabíola Tavernard)

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